A
riqueza da fauna e da flora do arquipélago de Galápagos,
o Chimborazo - o mais alto dos 55 vulcões existentes no país
-, as cidades coloniais de Quiro, Riobamba e Cuenca, fazem do Equador
um dos maiores centros naturais e culturais do planeta.
Enquanto o piloto iniciava o procedimento de descida do avião,
no aeroporto internacional de Quito, observei pela janela uma montanha
coberta por uma densa camada de neve. A rápida visão
não me permitiu identificá-la. A única certeza
que tive é que se tratava de um vulcão; fiquei em dúvida
entre o Cotopaxi e o Pichincha. Afinal, no Equador, há mais
de 50 deles - sendo que cinco encontram-se em atividade - espalhados
pelas cordilheiras oriental e ocidental. No ano passado, as cinzas
liberadas pela cratera do Pichincha trouxeram alguns transtornos para
os moradores de Quito, que tiveram de conviver com as ruas e as casas
constantemente cobertas de pó e com o céu cinza. Elas
foram responsáveis até pelo fechamento do aeroporto
por mais de dez dias.
Ao desembarcar, encontrei meu amigo Marco Shettini. No caminho para
o hotel, ele me disse que esses sustos causados pelos vulcões
são frequentes e a população já está
acostumada. "Só nos preocupamos quando os tremores são
mais intensos", brinca. Já para os indígenas -
80% da população - os abalos sísmicos têm
um significado religioso: "diz a lenda que os tremores de terra
são causados quando os vulcões Cotacachi (macho) e Imbabura
(fêmea) resolvem se encontrar. Segundo esta história
indígena, todos nós somos frutos da união destes
dois vulcões". Assim como eu, Marco também... |