Imagens Proibidas - por Frei BettoA
Prepare-se para uma viagem em duas etapas. A primeira, a de seus olhos que, graças à ousadia e às lentes de Nilton Pavin, poderão contemplar imagens do Tibete e do Butão. A Segunda, a de seu espírito, que intui a existência, naqueles países, de realidades que transcendem nossa informação e compreensão.
Impossível a imaginação não alçar vôo diante de tanta beleza e mistério. Sobretudo neste momento em que o Ocidente mergulha em anomia social e anemia espiritual. A solidariedade cede lugar à competição, as utopias ao mercado, e os valores que interessam são os da Bolsa.
Nada, porém, que sacie nossa fome de beleza. No centro da alma, o buraco dilata-se faminto de Absoluto. Por isso, nossa atenção centra-se em mundos que sirvam de referência ao direito de sonhar com uma vida melhor. Mas não precisamos aguardar os extraterrestres, nem retornar a vidas passadas. Do outro lado do Himalaia há dois países que nos convidam à viagem interior: Butão e Tibete.
Quando, há meses Nilton Pavin bateu no convento dos dominicanos, no bairro das Perdizes, em São Paulo, e consultou-me sobre seu propósito de entrar no Butão e no Tibete, tratei de encorajá-lo, como sempre faço com quem sonha em abraçar o sol.
Se temos fé e persistência, o impossível é um lugar que não existe. Procurei convencê-lo de que, na vida, é preciso, primeiro, tomar decisões. Em seguida aparecem os meios para realizá-las.
Ele foi, viu e voltou. Agora, entrega-nos essas Imagens Proibidas.
O Butão com eu equilíbrio social, sem conhecer os males que grassam no Ocidente, como desemprego, fome e violência, preserva-se como o monge que se recolhe para orar melhor. Eis uma realidade que desafia nossa razão, pois ali a felicidade social e espiritual existe fora dos padrões consumistas e hedonistas do Ocidente.
O Tibete, anexado injustamente à China, como Porto Rico aos EUA, estende suas fronteiras espirituais entre milhares de discípulos do Dalai Lama e desafia nosso coração sedento de vida espiritual. Se o Butão sinaliza um ideal de sociedade, o Tibete simboliza uma forma de sintonia com o Transcendente.
Nilton Pavin, com a sua argúcia de jornalista e sensibilidade para o mistério, distribui-nos essas fotos como pães ázimos ou hóstias.
Contemplá-las é descobrir, no fundo de si mesmo, uma inquietação que rompe a fronteira das veredas do espírito.
Em seguida, basta fechar os olhos para ver melhor.

 

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