Isolado
no meio do Pacífico e distante da civilização
moderna, o povo rapanui cultiva costumes peculiares, refinados e enigmáticos
Papa Kiko vive em uma casa pequena, como as demais que compõem
o povoado de Hanga Roa, o único da ilhota, com 53 casas. As
acomodações são modestas, mas suficientes para
atender às necessidades deste homem de 76 anos e seus familiares.
Nas paredes da sala, colares feitos dos mais variados materiais, onde
predominam conchas exóticas só encontradas no Oceano
Pacífico.
Para os rapanuis, povo nativo da Ilha de Páscoa, estes colares
têm um significado especial: representam respeito e admiração.
No caso de Papa Kiko, reverenciam seu passado de luta para preservar
a cultura local. Afinal, ele é um dos anciãos da ilha
e responsável pela difícil tarefa de manter viva a história
de seu povo, descendente dos polinésios. Sua missão
consiste em transmitir todos os dias, às crianças, o
dialeto, a música, a história e as tradições
cercadas de lendas, mistérios e tragédias que perduram
desde a época do descobrimento, no ano 500.
A partir da chegada dos polinésios, os primeiros habitantes,
Páscoa sofreu diversas invasões, mas sobreviveu a todas.
Tranquilo, Papa Kiko me confidencia que não há mistério
sobre os rapanuis. "São apenas fantasias que o homem ocidental
criou, devido ao isolamento da ilha em relação ao resto
do mundo". Segundo ele, "os primeiros habitantes vindos
da Polinésia Central, batizaram a ilha de Te Pito o Te Henua,
o 'umbigo do mundo'. Os europeus...
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