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Camboja:
Angkor, Um Templo Em PerigoA
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O
governo de Camboja se junta à Unesco para tentar salvar seu
patrimônio cultural da ação dos saqueadores e
traficantes de obras-de-arte.
Percebi certa preocupação na face das pessoas quando
percorri o interior do Camboja, saindo da capital Phnom Penh. Eu seguia
em direção a Siemp Rep, distante 300 quilômetros,
onde fica o complexo religioso de Angkor Wat. Pelas estradas ainda
havia resquícios da guerra civil que desvastou o país
na década de 1970. A desconfiança ainda persistia entre
moradores, principalmente quando um estrangeiro é avistado.
"O que ele quer agora?" devem pensar. Invasões, guerras
e a pobreza nunca abandonaram esse país, que possui pouco mais
de 180 mil quilômetros quadrados. Se, há 30 anos, Pol
Pot e os seguidores do Khmer Vermelho foram os responsáveis
pela morte de cerca de três milhões de cambojanos, agora,
o que assusta a população local é a ação
de ladrões, que pouco a pouco, vão desfigurando a principal
herança cultural do Camboja: seus templos. Não dá
para recriminar o olhar contestador de um nativo quando surge um estrangeiro.
O termo Khmer está associado ao longo da história do
país. O poderoso reino com características essencialmente
guerreiras que dominou a região, no passado, levava esse nome.
O apogeu dessa dinastia se deu por volta do século 13. Nesse
período, o rei Suryavarman II construiu a cidade de Angkor,
um sólido complexo de edificações esculpidas
em pedra, que reunia mais de 100 templos. A cidade-templo de Angkor
foi a capital do Império Khmer até 1431, quando tropas
tailandesas invadiram e saquearam o local. Isso ocasionou o seu abandono,
no final do século 15. Desde essa época, várias
construções...
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