Antártica: A Última FronteiraA
Depois de cinco dias a bordo do barco de pesquisas russo Grigoriy Makheev, naveguei quase dois mil quilômetros na península Antártica. Tempo suficiente para conhecer uma das regiões mais inóspitas do planeta, onde o frio, o vento, a solidão e o silêncio, quase absoluto, desafiam a resistência humana a todo momento.

O embarque para a base militar chilena Tenente Marsh, na ilha Rei Jorge, na Antártica, estava marcado para as 8h. No saguão do aeroporto Carlos Ibáñez del Campo, em Punta Arenas, a última cidade do Chile, 43 pessoas de vários países aguardavam, ansiosas, a liberação do pessoal da companhia aérea DAP para embarcar no primeiro vôo comercial rumo ao continente branco. Enquanto o pequeno Devilland 7, com capacidade para 46 pessoas, recebia os últimos procedimentos de segurança na pista, os olhares dos passageiros se cruzavam na sala de embarque.

A ansiedade e o nervosismo se justificavam: as condições climáticas naquela região veriam em questão de minutos. O último boletim metereológico, recebido na noite anterior, previa bom tempo, ou seja, tínhamos condições de embarcar. Então, por que o atraso de quase 30 minutos? Michel Sallaberry Ayeza, biólogo e líder a expedição, conversava com o piloto da aeronave, enquanto os demais membros da equipe trocavam idéias com os funcionários da DAP. O motivo do atraso: excesso de peso! O piloto argumentava que, por questões de segurança, não levantaria vôo enquanto o problema não fosse resolvido. Fomos orientados na reunião da noite anterior a levar apenas 15 quilos por passageiro. Depois de mais alguns minutos, o problema foi solucionado: retiraram algumas malas e estávamos liberados para o embarque. Depois de duas horas e meia de vôo, surgiram os primeiros icebergs. O movimento para conseguir...

 


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